Infertilidade

Estrutura do sistema reprodutivo FEMININO
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Ovários

   Dois órgãos essenciais em forma de amêndoa localizados de lados opostos da cavidade pélvica medindo cerca de 4cm em seu maior eixo e revestido por uma camada de células denominada de epitélio germinativo. Os ovários têm função de produzir, armazenar e liberar o gameta feminino - o oócito. Também atuam como glândulas endócrinas, sintetizando e liberando os hormônios sexuais femininos, o estrogênio e a progesterona.



Tubas Uterinas

   Ductos medindo em torno de 10cm de comprimento, que saem do útero terminando em projeções em forma de fímbrias que ficam sobre os ovários, porém não ligados a eles. Durante a ovulação, as fímbrias captam o oócito maduro que será fertilizado no terço médio superior da tuba. Após a fertilização, o embrião ainda se mantém por cerca 4 a 5 dias na tuba até chegar no estágio de blastocisto do seu desenvolvimento, sendo a partir daí encaminhado através de contrações rítmicas das paredes musculares das tubas até a cavidade uterina onde ocorrerá a sua implantação.



Vagina

   Órgão tubular que se estende desde o colo até sua abertura externa. Estrutura coberta por musculatura lisa revestida por membrana mucosa com função receptora do sêmen. Constitui também parte inferior do canal de nascimento e funciona como ducto excretor de secreções uterinas e de fluxo menstrual.



Vulva

   Termo coletivo dos genitais externos femininos (monte pubiano, clitóris e lábios), situados em torno da abertura da vagina. A vulva também apresenta em sua estrutura glândulas denominadas de glândulas de Bartholin localizadas em cada lado da abertura vaginal cuja função é secretar um fluido lubrificante.



Entendendo melhor a fisiologia feminina

Ôogenese

   No momento do nascimento, os ovários apresentam cerca de 4 milhões de oócitos primários produzidos no decorrer do desenvolvimento fetal. Ainda neste período, ocorre a primeira divisão meiótica destes oócitos primários, que ao nascer apresentam seu desenvolvimento estagnado. Somente na puberdade é que os oócitos retomarão seu desenvolvimento. Ainda assim, alguns oócitos primários podem, eventualmente, continuar a divisão meiótica, porém a grande maioria entra num processo degenerativo chamado atresia, ou seja, de 4 milhões de oócitos primários presentes inicialmente no momento do nascimento, somente cerca de 400 mil oócitos terminarão seu desenvolvimento. 
   Os oócitos encontram-se armazenados em estruturas denominadas folículos. Normalmente, estes folículos apresentam inicialmente um único oócito envolvido por uma camada de células chamada granulosa. Ao desenvolver, este folículo primordial aumenta de tamanho, a granulosa prolifera e em contato com o oócito diferencia-se formando o que chamamos de zona pelúcida. A granulosa secreta estrógeno e uma quantidade pequena de progesterona (no momento que antecede a ovulação) e inibina, além de também secretar outros fatores químicos que mantém estagnado o processo meiótico do oócito. A medida que o folículo cresce, o tecido que está ao seu redor forma a teca, que por sua vez envolve o folículo e estimula a secreção de estrógeno pelas células da granulosa. Em seguida, é formada uma cavidade chamada antro repleta de líquido dentro do folículo, rodeando desta forma o oócito. 
   Todo este processo desenvolvimento folicular depende da estimulação do hormônio folículo estimulante (FSH). Porém, antes da puberdade a concentração deste hormônio é muito baixa, impedindo que o processo aconteça.
   Quando ocorre a puberdade, por volta dos 13 anos de idade, a mulher ao menstruar pela primeira vez, dá início ao seu período reprodutivo que só irá terminar na menopausa, período determinado pela falência ovariana, podendo ocorrer em torno dos 44 anos. Entretanto, estudos demonstram que, a partir dos 35 anos de idade a função reprodutiva das mulheres começam a apresentar uma queda importante na qualidade ovulatória, o que poderá interferir no sucesso de todo processo que envolve a fertilidade conjugal.



Funções hormonais da mulher

   A recrutação, o desenvolvimento e a liberação dos oócitos dependem do funcionamento e equilíbrio hormonal produzido pelos ovários e pelas glândulas do cérebro: hipotálamo e hipófise ou pituitária. Ao aproximar-se o início da puberdade, a hipófise começa a produzir hormônios gonadotróficos que irão atuar sobre o ovário, dando início a uma série de alterações que se repetirão ciclicamente. As gonadotrofinas essenciais são: hormônio folículo-estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH) e gonadotrofina coriônica humana (hCG).
• FSH é produzido e liberado pela glândula adeno-hipófise, tendo como principal função iniciar o amadurecimento dos oócitos no ovário.
• LH é também produzido e liberado pela glândula adeno-hipófise, porém visa terminar o amadurecimento do oócito e estimular a sua liberação para o útero.
• hCG inicialmente produzido pela placenta após a implantação bem sucedida, atua também na manutenção da gravidez. O hormônio GnRH produzido pelo hipotálamo atua no controle da liberação de FSH e de LH.



Ciclo menstrual

   O ciclo menstrual tem como função principal preparar o organismo para gestação, controlando, principalmente a ovulação e o aporte nutricional do embrião. O primeiro dia de sangramento é o marcador inicial do ciclo menstrual. Cada ciclo é iniciado pelo aumento da libertação de FSH pela hipófise. O ciclo menstrual ocorre em três fases: folicular, ovulatória e lútea tendo como característica principal recrutar, estabelecer o crescimento e amadurecimento do oócito com grande potencial de fertilização. Na fase folicular, com duração média de 14 dias, a atuação do hormônio FSH alguns folículos primordiais começam a desenvolver-se. O crescimento do folículo sob ação do FSH caracteriza-se pelo aumento do oócito e proliferação das células foliculares passando a constituir uma cavidade cheia de líquido, a cavidade folicular. O estroma ovariano (tecido existente entre os folículos) organiza-se ao redor dos folículos em crescimento constituindo uma cápsula chamada de teca folicular, através da qual que é efetuada a nutrição dos folículos. Durante o crescimento, o folículo é deslocado em direção à superfície ovariana na qual uma pequena elevação, o estigma, indica o ponto onde posteriormente ocorrerá a ruptura do folículo. Pouco antes da ovulação, ainda sob a atuação do FSH, um único folículo chamado folículo dominante atinge seu maior grau de desenvolvimento estimulando simultaneamente a secreção de forma contínua e crescente do hormônio estrogênio. Em torno de 32 horas antes da ovulação, o estrogênio produzido pelo ovário atinge seu pico, desencadeando a produção do hormônio luteinizante (LH) pela hipófise desencadeando a ovulação daquele oócito maduro a partir do folículo dominante. Após a ovulação, os o folículo rôto se transformará em corpo lúteo iniciando neste momento a liberação de progesterona, que atuará no endométrio favorecendo a implantação. Caso o oócito não seja fertilizado por um espermatozóide dentro de um prazo de 72horas após sua liberação do folículo, no final do processo do corpo lúteo ocorrerá menstruação, reiniciando desta forma o ciclo. Entretanto, se a fertilização ocorrer, o embrião continua seu desenvolvimento, com início da produção do hCG (gonadrotrofina coriônica humana) fazendo com que o corpo lúteo libere estrogênio e progesterona de forma a proporcionar condições favoráveis a implantação.



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Fertilização

   Normalmente, as mulheres produzem mensalmente um oócito por ovário de forma alternada. Após ser liberado pelo ovário, o oócito apresenta-se com uma célula esférica medindo cerca de 140 micra de diâmetro. Por fora da membrana citoplasmática, encontra-se a zona pelúcida, constituída basicamente de mucopolissacarídeos e, envolvendo completamente o oócito, aglomeram-se células que constituem a corona radiata. Para que acontecer a fertilização, é necessário que o oócito quando expelido do ovário seja captado pela tuba uterina e siga em direção ao útero.



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Encontro dos Oócitos e Espermatozóides

   Após a ovulação, o oócito captado pela tuba uterina vai sendo deslocado através de movimentos contráteis controlados por estímulos hormonais e nervosos em direção ao terço médio superior da tuba uterina, onde encontrará com os espermatozóides e consequentemente ocorrerá fertilização. Esse encontro tem que ser realizado dentro de um curto espaço de tempo, pois a viabilidade do oócito é extremamente reduzida, aproximadamente 24 horas, deixando de ser fertilizável após este tempo.
   Ocorrendo a relação sexual, os espermatozóides produzidos pelos testículos, em número variável de 20 a 200 milhões, eliminados numa ejaculação dentro da vagina, iniciam sua corrida em direção ao oócito através das vias genitais femininas. Após atravessarem ambientes hostis como acidez vaginal, muco cervical e a cavidade uterina, apenas 300 - 500 espermatozóides chegam vivos nas tubas.
   O muco cervical produzido pelas glândulas da cérvice uterina, através do estímulo estrogênico, apresenta durante as fases do ciclo menstrual, nítidas alterações de suas características físicas e químicas, que têm por finalidade facilitar a passagem dos espermatozóides, que quando não ocorrem criam condições impróprias, inadequadas à passagem dos mesmos, constituindo assim causa freqüente de esterilidade (hostilidade muco-sêmen).
   Logo após a ejaculação, os espermatozóides já se encontram mergulhados no muco cervical. A travessia se faz à custa de movimentos ativos dos espermatozóides. Muitos deles não conseguem atravessar essa primeira etapa, porém os que conseguem têm um percurso relativamente fácil da cavidade uterina, onde são auxiliados por movimentos contráteis. Na junção útero-tubária situa-se outro obstáculo, representado por um estrangulamento que funciona como esfíncter funcional. Vencidas estas etapas, ao chegar na tuba uterina, os espermatozóides, em menor quantidade, estabelecem contato direto com o oócito.
   A fertilização ocorrerá após as seguintes fases: passagem do espermatozóide pela corona radiata, adesão do espermatozóide à superfície da zona pelúcida, passagem através da zona pelúcida, fusão das membranas plasmáticas do oócito e do espermatozóide, penetração do espermatozóide no oócito e a conseqüente descondensação e dispersão de sua cromatina. Logo após, uma membrana nuclear se forma e envolve a cromatina paterna, formando o pró-núcleo masculino. Simultaneamente, ocorre o reinício da meiose que estava suspenso, e termina com a liberação do segundo glóbulo polar. Os cromossomos permanecem no zigoto sendo imediatamente cercado por uma membrana nuclear, constituindo o pró-núcleo feminino.