Infertilidade

Causas da Infertilidade Feminina

   Estas podem abranger, principalmente, desordem ovulatória (35%) incluindo a idade, obstrução tubária (35%), endometriose (20%) e outras causas (10%).

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1. Idade

   Ao longo dos anos, as mulheres passaram a adiar a maternidade ou decidiram não ter filhos devido a fatores sociais. A fertilidade feminina começa a declinar bem rapidamente após os 35 anos de idade, já que idade e fertilidade estão inversamente relacionadas com o envelhecimento do sistema reprodutivo. Entre 10 a 15 anos que antecedem a menopausa, ocorre uma aceleração gradual de perda folicular correlacionada com o aumento dos níveis do hormônio folículo estimulante (FSH). Essas alterações refletem na qualidade e na capacidade reduzida dos folículos que estão envelhecendo juntamente com a idade da mulher, uma vez que a mulher nasce com todos os oócitos que terá durante sua vida. Outros fatores relacionados com a idade podem interferir no funcionamento reprodutivo das mulheres mais velhas, tais como diminuição da freqüência das relações sexuais, ovulação irregular, e a medida que a idade aumenta os níveis hormonais mudam e, deficiências da fase lútea, que ocorrem quando é produzido muito pouca progesterona cuja função é manter o recobrimento uterino suficiente para que ocorra a implantação. De modo geral, a idade avançada está ligada ao aumento de alguns perigos fisiológicos como principalmente o abortamento.
   Porém, vale lembrar que como a idade dos óvulos é a mesma da mulher, com o passar dos anos, os óvulos oferecem cada vez menos chance de fertilização, de implantação e de manutenção de gravidez, além de aumentar a chance de mal-formações fetais como a Síndrome de Down.



2. Desordem Ovulatória

   Mais de 40% das mulheres inférteis apresentam algum problema ovulatório. O ciclo ovariano é um processo tão complexo que desvios podem interromper o ciclo e impedir a ovulação. Vale lembrar que o ciclo ovariano normal está sob o controle dos hormônios da pituitária anterior: FSH e LH. A secreção desses hormônios é influenciada pelo hormônio liberador GnRH a partir do hipotálamo e pelos níveis circulantes de estrogênio e progesterona. Portanto, as desordens ovulatórias mais freqüentes são causadas pela deficiência de um desses hormônios controladores impedindo a ovulação, além de ovários ausentes, danificados ou doentes. A patologia mais freqüente que leva as desordens ovulatórias é a Síndrome de Ovários Policísticos (SOP).



3. Síndrome do Ovário Policístico (SOP)

   Acredita-se que a síndrome de ovário policístico seja a causa mais importante relacionada à disfunção ovariana em mulheres em idade reprodutiva. A síndrome de ovário policístico é uma condição a qual os ovários se apresentam aumentados, com uma camada externa lisa, porém mais espessa do que o normal. Na superfície são encontrados cistos que, embora inofensivos, podem causar amenorréia ou oligomenorréia, resultando em infertilidade. Através do exame de ultra-som a síndrome de ovário policístico pode ser diagnosticada. Porém, faz-se necessária avaliação de outros critérios, como a investigação do nível de LH (hormônio luteinizante) que em casos de SOP se apresenta bastante elevado, assim como o nível de FSH se apresenta abaixo do normal, o nível de androgênios alto, principalmente a testosterona e androstenediona, além dos ovários aumentados, com multifolículos imaturos (“forma de colar”), menstruação irregular, anovulação, hirsutismo e obesidade.
   Nas formas mais leves da Síndrome de Ovário Policístico, a mulher pode não apresentar anormalidade menstrual, ovulando normalmente, porém normalmente demanda de maior tempo para conceber além de apresentar maior chance de abortamento espontâneo. Já nos casos de SOP moderada e severa, a irregularidade menstrual ou amenorréia, assim como obesidade e hirsutismo são marcadores bem definidos quando diagnosticados.
   A conduta de tratamento para Síndrome de Ovário Policístico dependendo do caso pode ser simples, como uma simples perda de peso associado ao uso da metiformina que é uma medicação usada na resistência a insulina. Entretanto, havendo interesse do casal em gestar o ideal é fazer uso de medicação específica hormonal através das técnicas de Reprodução Assistida.

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4. Obstrução Tubária

   As tubas uterinas por serem estruturas delicadas com espessura aproximada da ponta de um lápis, podem ser facilmente obstruídas. Essa obstrução pode decorrer de um processo de cicatrização devido a alguma infecção ou cirurgia abdominal prévia, devido a adesões fibrosas ligando-as a outros tecidos (aderências), após aborto, infecção pós-parto e peritonite. Porém, a principal causa de infertilidade tubária é proveniente de doença inflamatória pélvica (PID) causada por microrganismos sexualmente transmissíveis, como gonococos, clamídia ou outros patógenos ou a endometriose. A obstrução tubária impede a fertilidade natural ao impedir que os espermatozóides consigam atingir o oócito para o processo da fertilização.



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5. Endometriose

   Processo de proliferação do endométrio que se espalha para fora do útero, podendo implantar-se nos ovários, em outros órgãos pélvicos causando infertilidade, com possibilidade de ocasionar obstrução mecânica das trompas através de adesões pélvicas, anatomia distorcida e dano ovariano ou tubário. Além disso, tanto o processo ovulatório quanto o de captação do oócito pela tuba uterina, ambos podem ser alterados com a endometriose. Por ser um processo de proliferação desordenada do endométrio, a endometriose é classificada em quatro estágios: mínima, leve, moderada e severa, apresentando como sintoma períodos menstruais bastante difíceis, dolorosos e prolongados. No entanto, existe pouca correlação entre a severidade dos sintomas e a extensão da doença, devendo avaliar se a endometriose está de fato causando infertilidade ou se está causando sintomas, já que algumas pacientes não apresentam sintomas mais têm endometriose extensa.
   O tratamento da endometriose irá depender se a paciente deseja engravidar ou não. Se o desejo for a gravidez, a melhor opção é a Reprodução Assistida, através da Fertilização in vitro.



6. Outras causas

   Alguns problemas cervicais (canal do colo uterino) podem dificultar o processo da fertilidade. No caso de muco cervical inadequado, ele pode indicar uma estimulação de estrogênio deficiente ou um mau funcionamento das células endocervicais. A hostilidade do muco cervical que pode ser desenvolvida em decorrência de infecções vaginais ou devido a presença de anticorpos anti-espermatozóides também pode dificultar o processo da fertilidade. Neste caso, o uso de agentes antibióticos, antifúngicos pode ajudar na eliminação do problema. Vale lembrar que fatores relacionados ao estilo de vida, assim como dieta, exercícios, álcool e uso de drogas, ou até mesmo alguns medicamentos podem influenciar a fertilidade.